Woody Allen recomenda cinco livros que inspiraram sua carreira
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Para o jornal The Guardian, o diretor de cinema Woody Allen elaborou uma lista com cinco livros que inspiraram sua carreira.

Abaixo você pode ver os títulos e conferir a opinião do cineasta sobre eles.

1* O Apanhador no Campo de Centeio (J.D.Salinger)

Sinopse: Um garoto americano de 16 anos relata como é a sua vida e sua adolescência. Em seguida, revela para os leitores os seus pensamentos e tudo que se passa na sua cabeça sobre os acontecimentos que ele vivência, as pessoas com quem ele convive; os pais, amigos, professores, etc.

“O Apanhador no Campo de Centeio sempre teve um significado muito especial para mim, porque eu li o livro quando era jovem, tinha 18 anos. Ele refletia minhas fantasia sobre Manhattan, o Upper East Side e Nova York no geral. O livro me salvava dos outros que eu tinha que ler na época, os quais tinham um aspecto mais acadêmicos. Para mim, ler “Um estudo da Vida Provinciana” ou “Educação Sentimental” era trabalho. Enquanto “O apanhador no campo de centeio” era puro prazer. Quando eu era jovem, ler era uma coisa que você tinha que fazer por obrigação, pela escola ou porque você queria conquistar uma pessoa. Não era uma coisa que eu fazia por diversão. Mas esse livro era diferente, ele foi meu vernáculo e a sua atmosfera teve grande impacto emocional em mim. Eu o reli algumas vezes e eu sempre descubro algo novo e sou impactado de alguma forma.”

2* Really the Blues (Mezz Mezzrow e Bernard Wolfe)

Sinopse:França, 1941, época da segunda grande guerra e da ocupação de Paris por policiais nazistas que perseguiam pessoas. Eddie Piron, que vivia como um músico de Jazz tocando pelos clubs da cidade, agora está sendo investigado por suspeita de assassinar o baterista da sua banda, que é encontrado morto no rio sena. Nas garras de um mercenário inteligente, seu passado vem a tona, revelando porque ele está em Paris e o que ele está escondendo.

“Eu aprendi no decorrer dos anos – conhecendo verdadeiros músicos de jazz que conheciam Mezzrow e as pessoas sobre quem ele escreve no livro – que essa obra está repleta de histórias falsas. Mas teve um grande impacto sobre mim, porque eu estava aprendendo a tocar a clarineta do jazz, como Mezzrow, e aprendendo a tocar o ‘idioma’ da música que ele e Bernard Wolfe escreveram. A história, que provavelmente tem um monte de bobagens, foi convincente para mim porque era sobre muitos músicos cujo trabalho eu conhecia e admirava, e as batidas do jazz que eu apreciava, e sobre as músicas lendárias que eram tocadas nos grandiosos clubs. Eu me diverti lendo esse livro quando a minha própria paixão pelo jazz ainda estava em formação. Mas eu sei que o livro não é tão bom ou até mesmo honesto.”

3* O Mundo de S.J.Perelman (Sidney Johnson Perelman)

Sinopse: O livro reúne uma coletânea de contos e crônicas escritas pelo comediante e roteirista S.J.Perelman publicados periodicamente pela revista New Yorker. Em seus textos, Perelman aborda os mais variados assuntos, desde temas mais sérios até críticos e despretensiosos. Comentando também sobre a sociedade americana e os seus acontecimentos e hábitos. A obra conta com prefácio do próprio Woody Allen e do humorista português Ricardo Araújo Pereira.

“O ser humano mais engraçado que já vi em toda a minha vida e em qualquer meio – seja nos stan-ups, na televisão, no teatro, nas conversas ou nos filmes – foi S.J.Perelman. No início da carreira era um pouco grosseiro, e não tão bom. Mas conforme ele foi se desenvolvendo, seus trabalhos tornaram-se incansáveis e sensacionais. Há muitas coleções do Perelman que são repletas de coisas excelentes. Esta, a qual eu pude escrever o prefácio, tem um número de peças espetaculares. Na minha opinião, os quatro primeiro ensaios são mais fracos; uma vez que você chega no quinto casual, como os nova iorquinos costumam chamar, ele muda o ritmo e o resto que se segue fica absolutamente cômico e genial. Mais divertido do que você pode imaginar. É inevitável a influência que Perelman exerceu sobre aqueles que cresceram com ele. Ele tem um estilo forte e criativo.”

4* Memórias Póstumas de Brás Cubas (Machado de Assis)

Sinopse: Brás Cubas é um defunto que decidi contar sua história antes dos vermes roer as frias carnes do seu cadáver. De forma humorada e crítica, o personagem conversa com o leitor e nos guia por uma viagem dramática e sarcástica pelas suas memórias desde a infância até o dia da morte, sua trajetória de vida e sua perspectiva sobre a sociedade, as pessoas, o mundo e o Brasil. Questionando hábitos próprios e condutas alheias, expondo as facetas da humanidade de modo poético e insensível.

“Um dia eu recebi essa obra por correspondência. Algum estranho no Brasil enviou e escreveu “você irá gostar desse”. Eu o li por ser um livro fino, se fosse um livro grosso, eu o teria descartado. Fiquei chocado com o quão encantador e divertido era. Mal pude acreditar que Machado de Assis viveu há tantos anos atras.Você teria pensado que ele escreveu isso ontem. A obra é tão moderna e cômico. É uma peça muito, muito original. Esse livro realmente me tocou da mesma forma como “O Apanhador no Campo de Centeio”. Era sobre um assunto que eu gostava, e foi escrito com grande sagacidade, muita originalidade e sem sentimentalismo.”

5* Elia Kazan: A Biography (Richard Schikel)

Sinopse: Essa é a biografia do cineasta e diretor de teatro Elia Kazan. Uma importante figura para o desenvolvimento da sétima arte nos anos 50. Considerado brilhante e inovador, ele modificou a performance dos filmes e sua carreira for marcada por grandes trabalhos e uma história de vida interessante.

“É a melhor biografia sobre alguém do showbusiness que eu já li. É muito bem escrita e é sobre um diretor brilhante que significou muito para mim enquanto eu estava crescendo e me tornando um cineasta. Schikel entende Kazan, ele entende Tennessee Williams, ele entende Marlon Brandon, ele entende “Uma Rua Chamada Pecado”. Ele escreve com um grande conhecimento histórico, reflexão e vivacidade. Livros sobre o showbusiness geralmente não valem a pena; são bobos e rasos. Mas este é um livro fabuloso. Não importa se você pensa em Kazan politicamente, isso não tem nada a ver com o fato de que ele foi um grande diretor.”

Revisado por: Bruna Vieira.

About the Author

Jornalista, escritora e futura roteirista, nerd na veia, apaixonada por cinema, séries e livros. Fã de J.R.R.Tolkien, vulgo O Senhor dos Anéis. Sempre preparada para informar os melhores leitores. *-*
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