Uma carta de amor e respeito aos quadrinhos
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​Sabe, eu e meu pai sempre tivemos uma relação de amor e ódio, mas nunca vou me esquecer da primeira vez em que ganhei um quadrinho dele. Gosto de pensar que mesmo indiretamente ele tenha ajudado na construção do meu caráter, pois muito do que sou agora é devido ao que aprendi nas páginas da nona arte. 

Me lembro como se fosse ontem, foi em uma colônia de férias do Batalhão aqui de minha cidade. Após o término dos dias, lá vejo meu pai me esperando com duas revistinhas em mãos: uma do Batman e outra do Homem-Aranha. Mal sabia meu pai, mas ali ele começou a me preparar para ser um humano em constante evolução e aprendizado, que persistem até os dias de hoje.
Incontáveis horas de leitura me proporcionaram inúmeros momentos inesquecíveis, desde alegria à tristeza, da calmaria à raiva, do amor ao ódio, mas que no fim levaram a apenas um destino: autoconhecimento e amadurecimento.

Os quadrinhos sempre contextualizaram o melhor e o pior da sociedade em que atuavam, portanto não era raro eu me pegar lendo sobre os X-Men e suas diferenças para com os humanos, o Superman sendo o supra sumo do caráter humano que deveria ser seguido – mesmo sendo um forasteiro, – Peter Parker tendo que travar diariamente a maior das batalhas: ter coragem necessária para viver nesse mundo caótico ou o Batman, que mesmo com todo ódio em seu coração, jamais ultrapassou a linha tênue da justiça e passou a operar por meio da vingança pessoal.

Boa parte do que sou hoje, aprendi com eles. Aprendi com Superman, que devemos ter esperança, e sempre batalhar para termos um futuro melhor como sociedade, pois muitas vezes não iremos salvar o mundo, mas se conseguirmos salvar uma pessoa já é o suficiente. Aprendi com a Mulher-Maravilha e com o Capitão América que nossa liberdade e direitos tem que ser conquistados mesmo com muito suor. Homem-Aranha me mostrou o real significado da coragem, e que é nossa obrigação nos postarmos de frente com nosso problema e o enfrentarmos, mesmo se todos disserem que não vai dar certo.

Batman me ensinou a diferença entre justiça e vingança. Os X-Men me fizeram sentir de todo o coração o que é ser diferente e sofrer por isso. Me mostraram que mesmo na maior das diferenças, o respeito deve existir acima de tudo, pois não sabemos as lutas diárias do outro. E Maus me mostrou até onde o ser humano pode chegar, e me faz lembrar até hoje as barbáries cometidas pela insegurança e o medo das diferenças.

Acima de qualquer explosão ou luta, os quadrinhos são um apelo para que saibamos respeitar uns aos outros, pois no fim ninguém é melhor do que ninguém.
Muitos dizem que quadrinhos são coisa de criança, e eu lhes respondo: quero ser criança para sempre. E vocês?

Revisado por: Bruna Vieira.

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Calvo, Nerd, com sérios problemas mentais e psicológicos. Aceita um café?

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