"Sombrio e misterioso na medida certa, Loney pode não te conquistar pela narrativa, mas sim em sua essência"
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Publicado pela Editora Intrínseca, Loney traz a história de Smith e seu irmão. A obra é narrada em primeira pessoa, entretanto em nenhum momento o leitor descobre o nome do narrador, somente que seu sobrenome é Smith. Os personagens que são abordados na história nunca falam o teu nome, surgindo assim um dos primeiros mistérios que cercam a obra.

Quando ossadas de uma criança são encontrados em Coldbarrow, lugar conhecido como Loney por seu aspecto sombrio, o narrador volta no tempo – há exatos quarenta anos – e relembra quando ele, Andrew (carinhosamente chamado de Hanny) e seus pais embarcaram em uma peregrinação, juntamente de sua paróquia, para alcançar a graça e obter a cura de Andrew, que é mudo. Sua mãe, Esther Smith, acredita que a “falha” de seu irmão é uma prova que Deus enviaste à ela, com o objetivo de reforçar a sua fé.

Padre Wilfred era o sacerdote da paróquia, porém morrera misteriosamente, sendo assim, Padre Bernard McGill assume teu posto, e é ele o mentor da peregrinação à Loney.

Chegando na casa Moorings, onde todo o grupo se instalará, o narrador e seu irmão começam a explorar a praia de Loney, encontrando pessoas misteriosas e se deparando com diversas situações sombrias.

“Tanto do lado de fora como no lado de dentro, a Moorings dava a sensação de um lugar que havia sido repetidamente abandonado. Um lugar que fracassara.”

 

Será que Andrew alcançará a cura?

Será que o Padre Bernard é confiável? Aliás, o que acontecera de fato com o Padre Wilfred?

Estas e outras questões serão respondidas – ou não – ao decorrer das páginas desse livro intrigante.

A narrativa de Andrew Michael Hurley é muito bem escrita e desenvolvida, criando uma ótima dimensão para a história, porém este fato pode levar o leitor a arrastar um pouco a leitura por conta das muitas descrições encontradas no enredo, ademais, a narrativa não ocorre de maneira linear, sendo muitas vezes uma lembrança da lembrança.

Por vezes pode parecer que o enredo não sairá do lugar, pois sua premissa é bem limitada, por isso não vá com muita sede ao pote, diminua as suas expectativas e retome a leitura.

A influência católica do autor, assim como seu folclore, são muito visíveis na obra. Há várias passagens bíblicas, crenças, rituais religiosos, além de ser abordado o fanatismo do mesmo. A palavra “creio” se destaca em muitos diálogos e em “pensamentos” do narrador, mas fique tranquilo caro leitor, Loney não se trata de um livro de cunho religioso, mas o mesmo se faz presente para que o aspecto sombrio tenha um “que” a mais, levantando questionamentos sobre até onde um homem está disposto a ir pela a sua crença fanática.

Indicado pelo mestre do gênero, Stephen King, Loney não é um livro aterrorizante, porém sabemos que o terror está lá. Uma edição linda que vale ser lida cuidadosamente, pois são nos detalhes que a obra é desenvolvida.

Loney é construído com maestria e deixará o leitor refletindo por um tempo após o seu término.

“Um romance sobre o que não foi dito, o que é implícito, o que é tão somente murmurado e ininteligível, repleto de lacunas sombrias e espaços indistintos que sua imaginação se sente impelida a preencher.” – The Observer

 

About the Author

Licenciada em Letras, é tradutora, copidesque, revisora e colaboradora da área de livros do Oracullo. Viciada em Netflix, doramas e livros.

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