Personagem da Semana #5 Jane Foster/A Poderosa Thor
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Concebida para ser o mero interesse amoroso do Thor, Jane Foster é um exemplo de personagem que evoluiu muito em sua importância nos quadrinhos.

Quando surgiu em Jorney Into Mystery #84 de 1962, criada por Stan Lee, Jack Kirby e Larry Lieber, Jane Foster era apenas uma enfermeira apaixonada pelo Deus do Trovão e colega de trabalho do Dr. Donald Blake, até que esse se revelou ser apenas a identidade mortal de Thor. Eles eram apaixonados e seu amor era condenado por todos em Asgard, o que fazia Jane um alvo fácil entre os inimigos de Thor.  Com o típico papel da mocinha em perigo, Jane evoluiu através dos anos, deixando seu papel como a mocinha indefesa para se tornar uma personagem importante para o arco do herói.

 

Em sua evolução, Jane passou de enfermeira a médica da S.H.I.E.L.D. que advogou em defesa daqueles que eram contra a Lei do Registro, imposta no arco de Guerra Civil.

A personagem foi representada na TV e no cinema. Na TV através das animações The Mighty Thor dos anos 60 e em Os Vingadores: Os Super-Heróis mais Poderosos da Terra de 2010. No cinema deixou de ser médica para ser astrofísica, vivida por Natalie Portman em Thor e na sequência Thor: O Mundo Sombrio.

De todas as suas aparições nos quadrinhos, talvez a primeira de grande destaque tenha sido na série de 1978 What If, onde na edição #10 a personagem aparece como Thordis, a Deusa do Trovão. No arco em questão, a história mostra o que aconteceria se ao invés de Donald Blake, quem achasse o martelo mágico fosse Foster. Ela usa seus novos poderes para salvar Donald Blake e é levada a viver em Asgard, onde Odin faz com que ela entregue o martelo a Blake, como era sua pretensão desde o princípio, e a desposa. Essa foi a primeira vez que tivemos um vislumbre da personagem como ela é vista hoje.

 

Não mais como Thordis, mas sim como Thor. Esse é o papel de Jane Foster atualmente. Durante o arco Pecado Original, a personagem descobre sofrer de câncer de mama justamente quando é convidada por Thor a participar de um congresso representando Midgard (Terra), durante esse tempo Thor, após se tornar guardião de um segredo contado por Nick Furry em uma guerra travada por ambos na lua, deixa de ser digno de empunhar o Mjolnir. Pouco tempo depois é descoberto que uma mulher conseguiu segurar o martelo e se torna A Poderosa Thor e que com os seus poderes recém adquiridos ela luta contra Malekith e o derrota.

Porém, a sucessão não é bem aceita por Odin que junto a seu irmão Cul declaram guerra a nova Deusa do Trovão, mas com a ajuda de Odinson (antigo Thor) e Freyja, ela consegue derrotar o Destruidor e permanece como Thor, entretanto sua identidade ainda não é revelada.

 

Apenas em A Poderosa Thor, lançada em novembro de 2015 tomamos conhecimento que, na verdade, a nova Deusa do Trovão é ninguém menos que Jane Foster. Na história, Jane está dividida entre seus deveres como Deusa do Trovão e sua batalha pessoal contra o câncer.

A dignidade de Jane ao manejar o Mjiolnir é tão intensa que ela liberou poderes do martelo que nem Thor havia liberado.

 

Uma das facetas mais interessantes neste arco com Jane como Thor é a forma como ela mostra ser digna de empunhar o Mjolnir. Não apenas com o fato de ser uma deusa poderosa e justa, mostrando-se uma forte aliada d’Os Vingadores em Guerras Secretas, a ponto de ser chamada a se juntar a eles, mas na forma como ela abdica de um tratamento mágico para a cura de seu câncer e como, para cumprir seus deveres como Thor, ela abre mão do tratamento de quimioterapia, já que magia e ciência não se misturam e cada vez que ela empunha o martelo e cumpre o seu dever, a magia do Mjolnir expulsa de seu corpo todo o tratamento que ela vem fazendo para combater ao câncer de mama. Ou seja, seu dever é sua ruína, mas ela não foge dele ou deixa de cumpri-lo, mostrando que é sim uma mulher digna de empunhar o martelo de Thor e uma guerreira muito mais poderosa e habilidosa do que poderia se imaginar.

A história de Jane como Thor vem se desenhando desde 2014, quando Odinson perde a habilidade de empunhar o martelo e ela assume o elmo e parece longe de acabar. Em uma fase tão importante de lutas femininas, a forma como Jason Aaron vem mostrando sua força e sua luta não só como Thor, mas também como Jane e a maneira como ela vem tendo sempre que se provar capaz por ser constantemente subestimada em sua condição de mulher torna a personagem extremamente forte em todas as suas facetas. As ilustrações detalhadas de Russel Dauterman se aliam a história de Aaron, criando um espetáculo para aqueles que se dispõem a ler sobre. Apesar de alguma resistência dos fãs mais tradicionalistas, não há como negar a evolução da personagem e a qualidade do desenvolvimento da sua história.

 

 

Revisado por: Bruna Vieira.

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Apaixonada por quadrinhos, animações e tudo relacionado à cultura pop. Escritora ávida e leitora mais ávida ainda. Sejam bem-vindos, mas não se sintam em casa. Sejam educados, por favor!

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