Personagem da Semana #4: Barbara Gordon/Batgirl
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Criada por Gardner Fox e Camine Infantino, Barbara Gordon teve sua primeira aparição como Batgirl em janeiro de 1967 e assim permaneceu até 1988. Em 1989, Alan Moore escreveu a graphic novel “A Piada Mortal”, história onde o Coringa atira em Barbara na sua identidade civil e a deixa paraplégica. Entre 1989 e 2011 Barbara permaneceu como Oráculo, ajudante Hacker, especialista em tecnologia e consultora do Batman e outros heróis. Até que em 2011, na HQ Batgirl #4 em Novos 52, ela retornou a ser Batgirl, após passar por um tratamento que lhe permitiu voltar a andar.

 

Uma das personagens mais populares da Era de Prata das HQs, a Batgirl teve sua popularidade alavancada com sua aparição na série dos anos 60, o que também fez com que o merchandising em cima da personagem se tornasse marca forte. O que permitiu que a mesma se tornasse porta-voz dos direitos da mulher no início dos anos 70.

Muitos não sabem, mas a Batgirl foi idealizada para os quadrinhos já com intenção em ser lançada na TV. O editor, Julius Schwartz, queria que a heroína fosse incluída na série de TV para poder atrair o público feminino. William Dozier e Howie Horowitz acharam a ideia ótima, pois queriam mais personagens femininas na série, devido ao grande sucesso que já era a Mulher Gato. Quando viram o esboço da Batgirl os produtores usaram a personagem para ajudar a vender uma nova temporada da série de TV “O Batman”. Em sua primeira aparição em live-action a Batgirl foi interpretada por Yvonne Craig.

Apesar de sua primeira aparição ter sido no final de 1966, a data oficial é de 1967. Ao contrário de uma outra personagem que tinha sido apresentada com o mesmo nome, a Batgirl de Barbara Gordon foi um sucesso entre os fãs que pediram para que ela voltasse a aparecer em outros exemplares da revista. A DC chegou a fazer um comunicado na época admitindo que a personalidade de Barbara tinha mais a ver com a atmosfera das revistas do Batman do que a Batwoman e a Batgirl anteriores.

O sucesso de Barbara Gordon como Batgirl na TV e nas HQs foi tão grande que em certos momentos ela chegou a ofuscar a dupla dinâmica, com a personagem chegando a desafiar o Batman sobre de quem o Robin deveria ser ajudante.

Um dos motivos para o sucesso quase que instantâneo da personagem era justamente por ela ser um alívio, um tom mais alegre para a trama, diferente da alma torturada de Batman e Robin, que lutavam contra o crime para vingar a morte de seus pais. Ao contrário das Batmwoman e Batgirl anteriores, a Batgirl de Barbara Gordon era completamente independente de personagens masculinos, era inteligente e altruísta. Como a civil Dra. Barbara Gordon, além de uma mulher independente, ela tem pós-graduação em biblioteconomia e é diretora da Biblioteca pública de Gotham. Acredita-se que uma das maiores, se não a maior, biblioteca pública na versão do universo DC de realidade. O fato de equilibrar a vida de civil e de heroína a tornou um ícone dos movimentos feministas dos anos 60.

Com o sucesso dos anos, a Batgirl se tornou, não apenas um ícone, como também um membro permanente da Bat-Família. Tendo, inclusive protagonizando aventuras próprias em revistas próprias ao lado de Dick Grayson, o primeiro Robin, aliás o romance entre os dois também foi bem explorado ao longo dos anos. Até hoje a versão de Barbara Gordon da Batgirl é muito popular entre os personagens da Era de Prata dos quadrinhos.

Com o passar dos anos os roteiristas viram Barbara se sentir cada vez menos completa em seu papel de Batgirl, foi quando em “A Piada Mortal” de Alan Moore, Barbara – em sua identidade civil – é baleada por Coringa, quando este sequestra Jim Gordon.

Após esse incidente, Barbara fica paralítica, o que a impede de combater o crime, isso a deixa em depressão, porém também abriu espaço para uma nova linha editorial para a heroína.

A decisão de Moore em tornar Barbara uma mera peça na trama de vingança de Coringa contra o Batman e Jim Gordon causou muita controvérsia na época, especialmente entre a ex-editora da DC, Valerie D’Orazio e a editora sênior da Comic Foundry Magazine, pois a tendência de ferir ou matar personagens femininas apenas para antagonizar o personagem masculino era, para o movimento feminista que a personagem foi símbolo por muito tempo, um ultraje. Foi nesse contexto que a editora de HQs e escritora Kim Yale, junto a seu marido John Ostrander – que também era escritor de HQs – decidiram não deixar que a personagem fosse colocada na “geladeira” e caísse no esquecimento. Foi então que surgiu a Oráculo!

Depois de passar por um período de depressão, ao tentar se enquadrar em sua vida, Barbara decide não deixar que sua deficiência a impedisse de lutar contra o crime. Sabendo que não poderia mais lutar como fizera antes, usando seus conhecimentos e sua alta inteligência, Barbara decide criar um sistema de computador poderoso e complexo, criado para acumular informações e se renomeou como Oráculo. Abençoada com uma memória fotográfica, todos os dias ela lia alguns dos jornais e revistas mais importantes do mundo diariamente e alimentava seu computador. Tendo desenvolvido esse sistema tão poderoso, ela se torna uma habilidosa hacker e usa não apenas arquivos e notícias públicas, como também invade os sistemas da CIA, FBI, NSA e Interpol atrás de informações cruciais.

A Oráculo acaba se tornando um recurso muito importante para o Batman e seus aliados, como por exemplo a Canário Negra e a Caçadora. E juntas, posteriormente, as três formaram a Equipe Aves de Rapina.

A equipe se desenvolveu por muitos anos com certo sucesso. Contudo, com o tempo, apesar de estabelecida como Oráculo, alguns fãs notaram que não havia motivos para Barbara continuar paraplégica já que o Batman era um habilidoso bioquímico e com as indústrias Wayne fazendo pesquisas com células tronco, seria perfeitamente possível que, com a evolução da ciência, a personagem voltasse a andar. O revisor Ray Tate, foi quem fez algumas dessas observações publicamente, ele também notou que apesar da boa intenção em não deixar a personagem simplesmente desaparecer, não condizia com a personalidade de Barbara a apatia e a simples aceitação em ficar presa a uma cadeira de rodas.

Ao longo dos anos foram feitas algumas tentativas de fazer a personagem voltar a andar e voltar ao seu alter ego de Batgirl, porém o sucesso de Barbara como Oráculo e a sua caracterização como uma personagem deficiente fizeram que todas as ideias fossem renegadas, inclusive a de Alex Ross de trazer a personagem de volta ao colocá-la no Poço de Lázaro.

Quando surgem Os Novos 52 a personagem Batgirl volta à ativa, porém como Kate Kane, inicialmente. Entretanto, as ideias de fazer Barbara Gordon voltar a andar, finalmente saíram do plano de ideias e em Batgirl #4, Barbara reassume seu papel como Batgirl, de onde para alguns nunca deveria ter saído. No início de sua volta ao combate ao crime, Barbara volta com dúvidas e receios, porém assume seu papel com maestria pelas mãos de Gail Simone como roteirista.

 

Depois desta fase, Barbara voltou a ser representada como uma adolescente e sua personagem ganhou muito mais leveza, contudo sem perder a sua genialidade no combate ao crime. Barbara tem suas maiores habilidades dispostas em artes marciais, habilidade em busca de informações como hacker e em tecnologias em geral.

Apesar do enorme sucesso dos anos 60, Barbara Gordon só foi novamente representada na TV em 2002, mas já como Oráculo na série “Birds of Prey”, no entanto a personagem foi retratada várias vezes em animações desde os anos 60, sendo suas últimas aparições nas animações A Piada Mortal, lançado em 2016 e Lego Batman, de 2017.

Sempre muito rentável na área de merchandising, a personagem foi usada também nos jogos relacionados ao universo Batman, Batman: A Ascenção de Sin Tzu, Lego Batman, o jogo e Injustice: Gods Among Us. Há fortes indícios de que a personagem venha a aparecer também em Injustice 2, um dos jogos mais aguardados do ano.

Sua primeira e única representação no cinema até o momento foi em Batman & Robin, de 1997. Com Alicia Silverstone no papel, apesar do filme não ter feito sucesso entre fãs e crítica, a Batgirl foi o personagem menos criticado no filme, apesar de neste ela ser retratada como Barbara Wilson, sobrinha de Alfred e não filha do comissário Gordon.

 

Em 31 de março, foi confirmado que a personagem ganharia seu primeiro filme solo. Baseada na personagem do arco de Os Novos 52, o filme será dirigido por Joss Whedon, que é fã confesso da personagem e sempre expressou sua vontade em fazer um filme sobre ela. O diretor sempre foi fã de personagens femininas fortes, o que pode significar uma ótima notícia para os fãs, já que a intenção do diretor é de mostrar toda a versatilidade, independência e força da personagem que se tornou símbolo do movimento de empoderamento feminino dos anos 60 e 70. Ainda há muita especulação sobre quem interpretaria a personagem e se seu filme estaria diretamente ligado ao atual universo expandido da DC nos cinemas. A questão pode ser determinante, já que com a representação d’Os Novos 52 a personagem seria uma adolescente. Contudo, se estiver conectado aos demais filmes da DCEU, mais apropriado seria uma atriz um pouco mais velha, por volta dos vinte e poucos anos, já que o Batman de Ben Affleck, claramente tem mais de 40 anos.

Quaisquer informações que saiam no momento são meras especulações e rumores, porém têm gerado muito barulho e muita empolgação entre os fãs do Homem Morcego e que acompanharam toda a saga da personagem através dos anos.

 

 

Revisado por: Bruna Vieira.

About the Author

Apaixonada por quadrinhos, animações e tudo relacionado à cultura pop. Escritora ávida e leitora mais ávida ainda. Sejam bem-vindos, mas não se sintam em casa. Sejam educados, por favor!

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