Chuta que é Carma! e Agarra que é Amor! são duas comédias ora irritantes ora apaixonantes
Preloader

Pensei em escrever uma resenha separada da outra, mas acho que uma é suficiente para descrever a louca vida de Clara.

Chuta que é Carma! e Agarra que é Amor! são romances cômicos da brasileira Vanessa Bosso, lançados pela Editora Astral Cultural.

 

Em Chuta que é Carma! temos uma mocinha com sérios problemas cármicos e de autoconfiança. Clara é uma artista plástica que acaba de levar um pé na bunda daqueles bem fortes, quando resolve que deve fazer uma viagem espiritual para se desapegar dos seus carmas e ver se encontra um Dharma (algo como o oposto de carma, algo muito bom que o destino nos reserva).

Nessa busca pelo seu eu, Clara arrasta Patty, sua melhor amiga, alma gêmea, estrela-guia e responsável por dar uns chacoalhões na mocinha, vão para Macchu Picchu. Patty é uma advogada inteligente e bem sucedida, mas assim como Clara tem um dedo meio podre para relacionamentos, mas é uma pessoa mil vezes mais equilibrada e estável emocionalmente.

Confesso que os mimimis de Clara me irritaram profundamente a ponto de eu querer abandonar a leitura, mas ao mesmo tempo me identifiquei com ela, afinal quem nunca passou por um relacionamento ruim e se culpou, ou achou que os cosmos te odiavam por colocar babacas em sua vida? Pois é, #somostodasClara.

Nessa viagem Clara se enche de autopiedade e Patty é quem tenta de alguma forma levá-la para a luz e fazê-la enxergar a grande mulher que há dentro de si. (Cara, essa Patty é a melhor pessoa, e tem uma paciência infinita). Em Macchu Picchu elas passam por sessões de autoconhecimento e de meditações, acontece que a mente de Clara não consegue parar de trabalhar e ela continua sendo uma chata, ops, uma pessoa com problemas de concentração e de autoconfiança.

Terminado o período de viagem no Peru, elas decidem esticar as férias e fazer um cruzeiro para solteiros (porque elas podem, dinheiro aparentemente não é problema), enfim, neste elas conhecem dois amigos, e logicamente, elas se apaixonam por eles, mas será que são os tão esperados dharmas? Já falei que Clara tem o dedo podre? Então, ela coleciona mais um carma nessa aventura. E que carma…

No fim das contas, a Patty, junto com a amiga voltam a São Paulo. Eis que um dia, em uma das crises existenciais de Clara, ela resolve ir ao mercado no meio da madrugada para comprar um monte de besteiras e seu amado vinhozinho, bem no local e horário mais improváveis ela esbarra com Thiago, um endocrinologista bonitão e meio enxerido, que dá sua opinião sobre o carrinho de besteiras que Clara está comprando e lhe da o cartão de seu Spa para uma possível desintoxicação (mental e gástrica). Depois desse encontro inusitado, Clara passa a ver o nome do Thiago em todos os cantos e óbvio que ela fica intrigada. E assim, nos deixando com vontade de quero mais, o livro acaba! Ainda bem que a Vanessa tratou logo de lançar a continuação.

 

Já em Agarra que é Amor!, temos uma Clara ainda muito chatinha e sem controle emocional, mas que está de fato tentando colocar sua vida nos trilhos. E a linda da Patty ali juntinho dela, dando a maior força.

Nesse livro me incomodou a forma como a autora fez com que Clara e Thiago se mantivessem juntos, a autora quis mostrar que ele realmente era o destino dela, mas isso ficou tão forçado, ela podia ter explorado isso de outra forma, mas mesmo assim o livro é legal.

Nessa nova aventura Patty e Clara se internam no Spa do bonitão por dez dias (realmente elas não precisam se preocupar em trabalhar! Oh, glória! Um dia chego nessa vida chique), lá elas são encaminhadas a diversos profissionais e passam por orientações para terem uma vida mais saudável física e emocionalmente.

Motivada a conhecer mais o médico, Clara abre mão do chocolate e do vinho. Ainda se depara com carmas do passado que teimam em ressuscitar, mas um pouco mais confiante e dona de si, ela finalmente consegue exorcizá-los.

Nesse novo livro vemos claramente a evolução da personagem, ela se propõe a ser uma pessoa mais estável e confiante e realmente consegue, mas ainda temos os dramas e as teimosias dela.

O que não gostei foi a maneira abrupta como os relacionamentos acontecem, há uma entrega muito rápida e de um dia para o outro as pessoas se amam loucamente, dali a pouco descobrem que não é bem assim e ok, vida que segue, vamos para o próximo e o ciclo se repete. O que nos resta saber é se Thiago é de fato um dharma e se Clara vai parar de drama e vai conseguir confiar em si, e em mais alguém.

Uma coisa muito interessante é a forma como a autora divide os capítulos, eles são bem curtinhos, com três páginas no máximo e separados por acontecimentos, então um dia da vida da Clara tem dois, três capítulos e isso junto com o vocabulário moderno e despojado torna a leitura muito rápida e até divertida.

 

Indico ambos os livros para quem acabou de ler algo muito intenso e está na famigerada ressaca literária.

Revisado por: Bruna Vieira.

About the Author

Estudante de Publicidade e de Letras, bookaholic, apreciadora de séries e viciada em café.