Crítica - Um Limite Entre Nós
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Um Limite Entre Nós é baseado na peça de enorme sucesso Fences, escrita por August Wilson lançada em 1987 e vencedora do prêmio Pulitzer. Teve uma nova versão em 2010 com Denzel Washington como protagonista, onde ganhou o Tony Awards (melhor ator em peça) e Viola Davis também ganhando o de melhor atriz em peça. Agora teve uma nova estreia em 25 de dezembro de 2016 nos EUA em formato de filme, assim mirando uma premiação no Oscar (melhor filme, melhor ator, melhor atriz coadjuvante e melhor roteiro adaptado), e novamente tendo o protagonismo de Viola e Denzel, que também é diretor do longa.

O filme se passa na década de 50 e nos traz a história de Troy Maxson, um homem analfabeto que fora preso, frustrado por não ter conseguido ser um jogador profissional de basebol, após sua prisão se tornou um coletor de lixo em Pittsburg, um chefe de família que trabalha duro todos os dias de sua vida para os sustentar, regra o seu cotidiano com drinks e cuida do irmão ex-combatente de guerra americano que voltou para casa com problemas.

Um filme com cerca de 139 minutos, com um tom lento, trilha sonora leve, fotografia e caracterização da época fantásticas, câmera praticamente parada em cenários repetidos, um filme totalmente TEATRAL que mostra o retrato de uma família negra humilde americana que tem de passar por diversas coisas para ter uma chance na vida. Dramático, com diversos diálogos no formato de MONÓLOGOS, principalmente de Troy, que por conta das suas decepções, sem perceber, acaba que impedindo que as pessoas de sua família cresçam e realizem os seus sonhos. Sempre procura passar um overview ao lado de seu fiel amigo Bono, de como era a sua infância e das dificuldades que passou quando adulto. Citações que sempre um homem de cor no esporte não teria as mesmas chances de sucesso que um branco. Realmente um cara totalmente frustrado que incomoda em certos momentos do filme (você entenderá isso muito bem quando assistir).

Denzel Washington carrega o filme praticamente sozinho, principalmente em cenas de Troy com o filho Cory,  que fica frustrado por conta das atitudes e regras fervorosas do pai que nunca o apoia em seus desejos e sonhos, resultando na proibição de jogar no time de futebol da universidade após ser selecionado pelo treinador. Cory sempre com medo do pai, em certo momento do filme resolve confrontá-lo, aí é só se deleitar com essa cena tensa. O filme é cheio destas cenas, isso que ainda temos no elenco Viola Davis como Rose, esposa de Troy.

Viola está perfeita em seu papel, trazendo uma atuação dramática como só ela consegue. Temos a prova disso com o prêmio recebido de melhor atriz coadjuvante no Globo de Ouro. (Essa mulher é demais). Rose uma mãe que apoia o filho, sempre esteve ao lado do marido durante 18 anos, passa por momentos difíceis após uma revelação destruidora de Troy que muda totalmente a direção da família (cena de encher os olhos em que Viola e Denzel dão uma aula de atuação).

Independente do tom teatral, lento e com monólogos (algo que incomoda muitas pessoas), Um Limite Entre Nós, com toda certeza merece a sua atenção, por atuações fantásticas, elenco de peso que faz jus e também por trazer conceitos familiares e ensinamentos de autopercepção do que é certo e errado. Nunca desconte as suas frustrações em outras pessoas, pois isso com toda certeza atrasará a vida desta e não trará nada de bom para a sua, além de mais decepções, é claro.

Título original – Fences
Duração – 139 miuntos
Distribuição – Paramount Pictures
Direção de Denzel Washington
Elenco – Denzel Washington, Viola Davis, Stephen Henderson, Jovan Adept, Russel Hornsby, Mykelti Williamson e Sanyya Sidney.
Indicações ao OSCAR 2017 – Melhor filme, Melhor Ator (Denzel), Melhor Atriz Coadjuvante (Viola) e Melhor Roteiro Adaptado.

Revisado por: Bruna Vieira.

About the Author

Founder do Oracullo, Founder e Mobile Leader na MobSmartUp, viciado em séries, filmes, livros e quadrinhos. #maytheforcebewithyou