Crítica: La La Land
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Depois de várias apresentações em festivais e salas de cinema limitadas em todo o mundo, finalmente La La Land chega aos cinemas brasileiros. Enfim poderemos conhecer o filme que vem arrasando as premiações em que participa, levando inclusive os 4 principais prêmios (Melhor Comédia ou Musical, Melhor Ator em Comédia ou Musical, Melhor Atriz em Comédia ou Musical e Melhor Diretor) do importantíssimo Prêmio Globo de Ouro.

Ryan Gosling e Emma Stone tem uma ótima química.

Sebastian (Ryan Gosling) é um brilhante músico, que busca o seu sonho de viver de música e renascer o jazz clássico, gênero no qual ele acredita estar morrendo. Se você não conhece jazz, está aqui uma boa iniciação, a música é tratada como um personagem a parte do filme. Durante toda a sua apresentação é mostrado como o personagem nutre a sua paixão pelo vintage, e pelo quanto coisas antigas são mais do que simplesmente coisas antigas, são memórias, são acontecimentos que representam fisicamente uma era, um sonho, uma paixão. Mia (Emma Stone) é uma garota atrás de seu sonho de ser atriz, enquanto trabalha numa cafetaria em um estúdio de cinema para sobreviver. Um sonho que parece cada vez mais difícil de alcançar, e o fracasso fica cada vez mais próximo. Até esse ponto temos uma história digna de clichê holywoodiano, o que convenhamos, é verdade. Mas é, provavelmente, o clichê romântico mais bem construído dos últimos tempos. Muito por conta das ótimas atuações, principalmente de Emma Stone, na qual é a melhor atuação de sua vida, passando toda a leveza e drama quando necessário. Ryan Gosling tem poucas cenas cantando, mas impressiona em seu desempenho no piano.

O filme é dividido em atos, os quais são representados por estações. Inverno, Primavera, Verão e Outono, cada uma servindo como um título para o ato, o melhor ao estilo “As quatro estações” de Vivaldi. A construção do roteiro é feita a partir dessa sequência, com o inverno representando o frio, o fracasso e o nada; a Primavera como o nascer de algo, o desabrochar dos sentimentos; o auge da felicidade e da alegria do verão, e, por fim, a realidade do Outono, onde tudo parece morrer e desaparecer, mas no fim, é apenas o início de mais um ciclo. Essa divisão torna o filme muito agradável para quem o assiste, deixando a curiosidade do que vai acontecer na estação seguinte.

Sua beleza estética é de tirar o fôlego.

Todo ano Hollywood nos brinda com filmes que foram feitos milimetricamente para ganharem prêmios. Os quais costumam ser ótimos, mas esquecíveis, falta alguma coisa, talvez alma, talvez humanidade. La La Land vai além disso. É uma carta de amor ao cinema, unindo o antigo e o novo de forma magistral. O vintage poucas vezes esteve tão bem representado dentro da modernidade. O clima de romance dos anos 60 está presente no dia a dia corrido dos nossos tempos, onde sonhos precisam ficar de lado para que a vida possa continuar. La La Land é uma experiência única, e é graficamente poder presenciá-la. Os anos poderão passar, mas o tempo o tornará inesquecível.

Se você, assim como eu, não é um grande fã de musicais, assista a La La Land. E talvez assim, mude seus conceitos. É um dos filmes mais esteticamente bonitos dos últimos tempos. Beleza essa que vem do simples, de um enquadramento, de uma luz. Comprando a ideia do filme, a emoção será uma reação justa. Não por tristeza, mas sim pela beleza do que é apresentado. As cenas musicais estão inseridas milimetricamente no filme, nunca em excesso, nunca exagerado, sempre na medida certa. O jazz apresentado por Sebastian pode muito bem ser uma analogia para o longa. Filmes como esses parecem estar morrendo, principalmente pelo fato de que temos a impressão de que ninguém mais assiste. Mas enquanto as pessoas manterem a paixão pela arte cinematográfica, filmes assim continuarão a existir.  A arte está maravilhosamente representada nessa obra prima.

Com uma mistura perfeita entre roteiro, atuações, fotografia e direção, o resultado final não poderia ser diferente.

Nota: 5/5.

Revisado por: Bruna Vieira.

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Amante de filmes e series que ninguém assiste, psicologia, filosofia e memes. Em busca de conversas sobre a vida, o universo e tudo mais.