Critica 2 - Logan
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A Fox é uma incógnita em termos de super-heróis no cinema. Ao mesmo tempo em que foi uma das responsáveis por moldar o gênero com os primeiros filmes de X-Men, fez trabalhos horríveis com os mutantes e outras franquias, como Quarteto Fantástico. Até um ano atrás, seu retrospecto recente não era digno de confiança, sendo que a cada anuncio de novos filmes os fãs já não tinham grandes expectativas. Depois de Deadpool esse cenário mudou, recuperando uma parte da confiança perdida durante os anos, a Fox teve a coragem necessária para arriscar, e agora, arriscando novamente com Logan. Aos olhos dos produtores, um filme com temática adulta é perigoso. Centrado em apenas um nicho, se o público não gostar, o filme será um fracasso. Ou seja, não se pode errar. Carregando o peso de ser um filme diferente num universo que se tornou confuso no cinema, além da despedida de Hugh Jackman e Patrick Stewart de seus papeis, Logan conseguira alcançar as altas expectativas criadas?

Em 2029 somos apresentados a um velho Logan, aposentado dos tempos de X-Men, buscando se esconder de quem fora no passado. Enquanto trabalha como uma pessoa comum, precisa conciliar a sua vida com a do professor Charles Xavier, que já muito debilitado, não consegue mais controlar seus poderes, precisando de medicação para ser contido. Mas como estamos falando de Wolverine, é claro que as coisas não saem como o esperado. Mesmo tentando fugir de problemas, o carcaju acaba sendo envolvido com a menina Laura (Dafne Keen), precisando protege-la de um grupo militar.

Logan entrega tudo que o fãs sempre sonharam. Com cenas de ação nunca antes vistas na franquia X-Men, pedaços de corpos voam na tela e garras enfiadas em cabeças com frequência. A agressividade prometida nos trailers está presente durante todo o longa, funcionando não só como sequências deslumbrantes e sanguinárias, mas também como parte do roteiro, nos fazendo entender melhor a situação atual de cada personagem. A jovem Laura faz um ótimo trabalho de expressões faciais, dando um peso bem interessante para a personagem, mas quando precisa falar, sua personagem decai um pouco, perdendo esse peso e sendo infantilizada. Outro destaque para atuações vai para Patrick Stewart (Charles Xavier), que faz um papel bem convincente alternando entre lucidez e loucura. Hugh Jackman é um ator já renomado em Hollywood, inclusive com indicação ao Oscar, não sendo surpresa sua bela atuação, entregando uma grande carga dramática ao personagem, digna de despedida.

Logan é um personagem amargurado que sente o peso de seu passado.

 

Mas perfeito é uma palavra forte para definir o longa. Comodismos de roteiros acabam sendo rotineiros em diversos filmes de super-heróis, Logan busca ser diferente deles, mas acaba tendo o mesmo problema. São alguns casos em que as situações são resolvidas de forma superficial ou forçada. Exemplos como personagens aparentemente mortos voltando e salvando o dia, mutantes não usando poderes em momentos que seriam úteis e Wolverine mudando de ideia por motivos fúteis. Não chega a ser algo que atrapalhe totalmente a experiência, mas é um aspecto que precisa ser melhor trabalhado nessa nova leva de filmes para um público mais adulto. Por ser o último filme de Hugh Jackman como Wolverine, é de se aceitar que seja longo, os fãs querem ver o ator vivendo o papel pelo máximo de tempo possível, porém, o filme é mais longo do que deveria. As 2 horas e 30 minutos acabam não sendo tão bem aproveitadas pelo roteiro, podendo ter sido diminuídas facilmente em 15 ou 30 minutos. Outro ponto que pode decepcionar os mais exigentes é a trilha sonora. Composta quase toda por composições próprias, o filme não apresenta nenhuma música conhecida pelo público. Para quem nos entregou Johnny Cash no trailer, faltou algo.

O filme funciona muito bem como um road movie, mas acaba se prolongando demais.

 

Não é exagero dizermos que Logan pode ser um dos responsáveis por redefinir o gênero de super-heróis no cinema. Com um drama pesado e discutindo temas profundos como amor, família e o peso das decisões, o longa conseguirá agradar tanto os fãs mais ávidos de quadrinhos quanto o público que gosta do Wolverine por suas cenas de ação. Hugh Jackman é o principal responsável por essa obra acontecer, e será eternamente lembrado por isso. Leve o lencinho para o cinema, pois irá precisar.

Nota: 4.5.

Confira também a nossa 1º crítica do filme (Link).

Revisado por: Bruna Vieira.

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Amante de filmes e series que ninguém assiste, psicologia, filosofia e memes. Em busca de conversas sobre a vida, o universo e tudo mais.

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