Californication: uma série de várias camadas
Preloader

Quantas séries você conhece que conseguem viajar entre a psicologia, a comédia, o drama, o profano e o existencialismo, tudo isso regado a uma trilha sonora invejável? Provavelmente poucas. Californication tem como sua principal qualidade essas diversas camadas, todas juntas e misturadas num bolo de emoções difíceis de distinguir. Talvez você só reconheça o profano, talvez só o drama, mas com um pouco de mente aberta terá em mãos um material interessantíssimo e diversificado, que tem seus altos e baixos, mas no fim, nos entrega uma ótima experiência.

A relação entre Hank, Karen e Becca é o ponto alto da série.

 

Californication, basicamente, é a história de Hank Moody (David Duchovny – Arquivo X) um escritor que, em geral, não escreve, buscando resolver a sua vida tanto profissional, quanto amorosa e familiar. Enquanto passa por suas aventuras cotidianas junto ao seu agente Charlie Runkle (Evan Handler), Hank tenta, porém com certa dificuldade, recuperar o amor de Karen (Natascha McElhone), sua ex esposa. Junto a isso, precisa criar sua filha Becca (Madeleine Martin), que, digamos, tem uma personalidade peculiar. E é nesse arco que temos o drama mais profundo da série. De certa forma pode parecer engraçado, os acontecimentos muitas vezes geram situações embaraçosas. Mas quando você menos espera, a série volta para os complicados problemas pessoais de Hank Moody e joga na sua cara uma discussão tensa ao som de Rocket Man, que com o mínimo de empatia pelos personagens, fará você se emocionar. Em um dos ótimos momentos de roteiro da série, Hank escreve uma carta para Karen, que, para quem ainda não assistiu a série, serve como introdução aos dramas vividos pelos personagens. 

A série conta com diversas aparições. O cantor e humorista Tim Minchin é uma delas.

 

Hank Moody está longe de ser um exemplo de pessoa. Até porque não é o seu objetivo. Mas no fim, ele representa uma analogia a vida. A vida nada mais é do que errar, consertar, errar de novo e seguir a vida, buscando o que você acha certo, talvez mudando de ideia, talvez falhando em buscar seu objetivo, mas sempre…vivendo. A série em nenhum momento tenta colocar Hank Moody como um modelo ideal, leve-o para o Crepúsculo do Deuses, Hank Moody é só mais um mortal cometendo erros e acertos na sua vida, não deve ser seguido e nem rejeitado. Viva a sua vida como um Hank Moody, e não como o Hank Moody.

Como disse o escritor em um dos seus conselhos para Becca: Whatever you do, don’t be another brick in the wall.

Revisado por: Raquel Moscardini

About the Author

Amante de filmes e series que ninguém assiste, psicologia, filosofia e memes. Em busca de conversas sobre a vida, o universo e tudo mais.