"Audrie & Daisy traz a realidade de adolescentes que passaram por agressão sexual"
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Com o sucesso de 13 Reasons Why (Os 13 Porquês) e com os temas abordados, o melhor momento para debater e discutir o bullying e o cyberbullying chegou.
Audrie & Daisy é um documentário original da Netflix, e traz como a agressão sexual e o cyberbullying deteriora a vida das vítimas, assim como suas respectivas famílias. Dirigido por Bonni Cohen e Jon Shenk, o documentário aborda 3 casos reais de estupros ocorridos com garotas diferentes, estas são: Audrie Pott (15 anos), Daisy Coleman (14 anos) e Delaney Henderson (16 anos).

 

Audrie Pott, fora a uma festa em 3 de setembro. Nesta, ela teve o corpo marcado com canetas permanentes, foi agredida sexualmente, ridicularizada e teve fotos do ato vazadas pela internet.
Em 12 de setembro, Audrie cometeu suicídio por não aguentar o que lhe ocorreu.
Ela não chegou a denunciar ninguém, mas ao investigar sobre o que lhe aconteceu naquela noite – pois estava desacordada durante todo o ocorrido – sofreu ameaças na escola e em suas redes sociais.

A Audrie é só uma de muitas.

 

Daisy Coleman, fora estuprada – junto se sua amiga Paige –  e largada em frente à sua casa por cinco amigos de seu irmão. Ela teve sua casa incendiada e um vídeo vazado na internet. O caso traz o machismo do lado investigativo, mostrando que o próprio julga Daisy culpada pelo ocorrido. Pois ela “estava procurando”, “pedindo”, e não porque um dos meninos era parente do deputado da cidade – claro que não, né?

 

Delaney Henderson, que ao dar uma festa em sua casa, chamou umas amigas – que chamaram uns caras – e, ao passar mal, foi seguida e trancada em seu quarto por dois rapazes, sendo estuprada em sua própria casa.
Um amigo dos agressores fez um rap, onde dizia o nome inteiro dela, além de que iria matá-la por denunciá-los. A canção fora baixada milhares de vezes e o cyberbullying piorou.

“Na escola, os agressores gritavam “puta” do outro lado da quadra quando me viam, e eles me ameaçavam nas mídias sociais.”

Delaney fora orientada a se mudar, pois as ameaças chegaram a tal ponto que a vida dela e de sua família corriam risco.
Ela tentou entrar em contato com Audrie, para lhe dizer que passou por algo igual, que ela não estava sozinha e que poderia denunciar o ocorrido, mas fora tarde demais.

Tudo isso fez com que Delaney se tornasse embaixadora do PAVE: Promoting Awareness, Victim Empowermen (PCEV: Promoção da Conscientização e Empoderamento à Vítima), uma organização sem fins-lucrativos para as vítimas de agressão sexual, além de fundar a sua própria organização, SafeBAE, que visa educar os estudantes sobre os seus direitos.

Três meninas, três famílias, três vítimas. Até quando?

O documentário mostra o que elas (ainda) passam, toda a vergonha, a raiva e o sentimento de vingança, além da culpa que sentem com o decorrer dos dias, pois são sempre alvo de agressões pela internet, onde muitas pessoas as culpabilizam. Consequentemente, isso as leva a depressão e a tentativa de suicídio.
Que fique bem claro aqui: A CULPA NUNCA É DA VÍTIMA.
No Brasil, segundo dados do 9° Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 47.600 pessoas foram estupradas no país em 2014, ou seja, A CADA 11 MINUTOS UMA PESSOA É AGREDIDA SEXUALMENTE. Este número poderia ser maior, pois a pesquisa só levou em conta os casos que foram registrados em boletins de ocorrência – estimados em 35%.
Desse modo, 65% nem se quer entraram nessa lista.
Esse crime ocorre em maior número entre as mulheres, mas podem também ocorrer com homens. Além da agressão física, a vítima ainda é ridicularizada nas redes sociais, tendo fotos e vídeos vazados, o que traz aos julgamentos e insultos psicológicos e físicos.
Audrie & Daisy traz uma verdade trágica que ocorre com muitas meninas e meninos pelo mundo, mas a verdadeira mensagem é:

DENUNCIE. FAÇA SUA VOZ SER OUVIDA E, ACIMA DE TUDO, A CULPA NÃO É SUA. 

Então, convido vocês que assistiram 13 Reasons Why a ver este documentário. Os temas são muito sérios e merecem ser discutidos pela sociedade. Audrie & Daisy traz a ficção de Hannah Baker para a realidade em um documentário nu e cru, que merece a sua atenção.

 

Precisa de ajuda?

No Brasil há o CVV (Centro de Valorização da Vida)

Telefone: 141

E-mail, chat e Skype no website http://cvv.org.br/

About the Author

Licenciada em Letras, é tradutora, copidesque, revisora e colaboradora da área de livros do Oracullo. Viciada em Netflix, doramas e livros.

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