Abril e o Mundo Extraordinário | Embarque nessa aventura distópica
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O futuro da humanidade nos vem a mente como presságio, prevemos que uma nuvem de caos flutue perpetuamente sobre a sociedade; a sombra da assustadora contradição entre o progresso tecnológico e científico e a degradação da natureza e da mentalidade humana. No entanto, não são todos que imaginam o futuro como o nosso pesadelo, mas que nos faz matar o passado, refazê-lo e pensar nas consequências do presente. É o caso de Jacques Tardi e sua graphic novel Novel Abril e o Mundo Extraordinário, que foi adaptada para o cinema francês como animação de Franck Ekinci e Christian Desmares.

 

A história simples, porém genial, se passa na França de 1941 com uma realidade distópica onde o imperador Napoleão V está no poder, e cientistas do mundo todo tem desaparecido misteriosamente, o que deixou a sociedade retrógrada, já que sem eles os avanços tecnológicos foram brutalmente interrompidos, de modo que eletricidade, rádio, televisão, motor a combustão e tantas outras tecnologias não existem, tudo é movido a carvão e vapor. Em paralelo, Abril e sua família de cientistas vivem escondidos, fazendo experiências para descobrir e chegar na formula do Elixir da Vida que garantiria a toda humanidade juventude e regeneração eterna. Quando a polícia inicia uma perseguição a sua família, a garotinha vê-se obrigada a fugir e a viver nas ruas de Paris, junto com seu gato falante, Darwin. Após crescer a garota inicia uma busca pelos seus pais e seu avô, e acaba vivendo aventuras inimagináveis e conhecendo um grande amor.

Árvore em exposição em um museu.

 

A visão do autor é completamente chocante e nos promove profundas reflexões sobre todo o desenvolvimento das espécies, sobretudo dos animais em relação a raça humana, fazendo com que mesmo nessa época a utilização das máquinas seja repensada como algo que está indo além das nossas capacidades e saindo do controle. Em um único cenário, podemos ver a luta para garantir a sobrevivência do meio ambiente e de que modo os homens representam uma enorme barreira para a evolução do planeta.

Coloca-se em questionamento a integridade, o respeito e o que somos capazes de fazer com o poder que foi concedido apenas para a nossa espécie: a inteligência e a capacidade de pensar racionalmente. Será que as forças superiores, ou seja lá o que for, erraram em colocar nas nossas mãos algo tão vital e importante como o planeta Terra? Ou será que esse fator não mudaria se qualquer outro animal tivesse a mesma chance que nós, os mesmos instintos e mentalidade?

O enriquecedor conteúdo dessa história virou uma animação lindíssima, com uma direção de arte impecável, visualmente e esteticamente perfeito, bem desenhado e detalhado. O roteiro é um tanto quanto fraco, principalmente porque ainda que com tantas críticas, manteve o seu “teor” infantil e sua linguagem simples. Mesclando boas doses de ação e drama com pequenas adesões de comédia. Acredito que tenha servido ao seu propósito de trazer uma densidade um tanto despretensiosa, de modo que pudesse se adequar aos dois públicos.

A questão da adaptação é algo que definitivamente também deve ser levado em conta, eu não tive a oportunidade de ler os quadrinhos, mas pesquisei cenas e diálogos que me parecem condizente com aquilo que foi proposto no formato de desenho animado. Desse modo, o roteiro justifica-se ao querer transpassar ao máximo aquilo que fazia parte da outra forma de narrativa. No final, é inevitável não se emocionar pelo heroísmo presente e a ideia de amor e sacrifício em prol não apenas da família e dos amigos, mas também das ideologias e de toda a vida humana.

Revisado por: Bruna Vieira.

About the Author

Jornalista, escritora e futura roteirista, nerd na veia, apaixonada por cinema, séries e livros. Fã de J.R.R.Tolkien, vulgo O Senhor dos Anéis. Sempre preparada para informar os melhores leitores. *-* Criadora do blog Penso, Logo Assisto. https://pensologoassistodotcom.wordpress.com/

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