5 filmes cult indispensáveis para qualquer cinéfilo
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Existem várias formas de definir um filme cult. Em geral, são produções que não deslancharam comercialmente inicialmente, mas depois se tornaram cultuados por um certo público. Pode-se incluir também filmes fora do eixo Hollywood, que tenham obtido sucesso em seu país de lançamento, mas não tiveram a divulgação mundial necessária para se tornarem um clássico. Costumam tratar de temas distintos, fugindo de roteiros clichês e muitas vezes sendo pioneiros em temas e técnicas que servirão de referência para futuras obras. Justamente por não seguirem a fórmula hollywoodiana, acabam agradando públicos menores, mas que muitas vezes se tornam seguidores fiéis e disseminadores de sua palavra.

Por serem filmes menos divulgados comercialmente, acabam não chegando ao grande público. Dessa forma, listaremos 5 filmes que se tornaram cultuados por determinado público, alguns já bem conhecidos, e outros que não-cinéfilos provavelmente nunca ouviram falar, porém grandes obras que serão um ótimo complemento para sua lista de filmes assistidos.

Oldboy

O ator Choi Min-sik na famosa cena do corredor em Oldboy.

 

Diretor: Park Chan-Wook (mesmo diretor de Expresso do Amanhã, The Handmaiden e Lady Vingança)

Informações adicionais: Filme sul-coreano. Ganhador do prêmio especial do Júri em Cannes. Um fato interessante é que o ator Choi Min-ski atuou em todas a cenas, sem auxílio de dubles.

Orçamento: US$ 3.260.00

Receita: US$ 14.980.000

Ano: 2003

Sinopse: Oh Dae-su (Choi Min-sik) é um homem comum, bem casado e pai de uma garota de 3 anos, que é levado a uma delegacia por estar alcoolizado. Ao sair ele liga para casa de uma cabine telefônica e logo em seguida desaparece, deixando como pista apenas o presente de aniversário que havia comprado para sua filha. Pouco depois ele percebe estar em uma estranha prisão, que na verdade é um quarto de hotel onde há apenas uma TV ligada, no qual recebe pouca comida na porta e respira um gás que o faz dormir diariamente. Através do noticiário da TV ele descobre que é o principal suspeito do assassinato brutal de sua esposa, o que faz com que tente o suicídio. Sem obter sucesso, ele passa a se adaptar à escuridão de seu quarto e a preparar seu corpo e sua mente para sobreviver à pena que está sendo obrigado a cumprir sem saber o porquê.

O filme ficou famoso por suas cenas icônicas, como por exemplo, quando o personagem principal come um polvo vivo (sim, o ator REALMENTE FEZ ISSO! E foram 4 polvos até que a cena ficasse perfeita), ou a clássica cena de luta no corredor, a qual serviu de referência até para a série do Demolidor. São 3 fucking minutos de ação desenfreada muito bem coreografada. Outro fato gerador para sua fama é o plot twist* no fim do filme, o qual logicamente não falaremos aqui, mas sendo chocante, cruel e surreal, garantimos que sua cabeça irá explodir.

Obs: a cada vez que você assiste a versão americana (2013) em vez da sul-coreana, um panda morre. Não mate pandas, por favor.

*Plot twist é uma mudança radical no roteiro, uma reviravolta, um acontecimento não esperado.

 

 

Donnie Darko

Estrelado por Jake Gyllenhaal, Donnie Darko segue como um dos maiores filmes cults.

 

Diretor: Richard Kelly

Informações adicionais: Em seu enredo principal, trata sobre a queda de um avião. O filme foi lançado em 2001. Sim, no mesmo ano da queda das Torres Gêmeas. Esse fato foi um empecilho para o filme, sendo um fracasso de bilheteria dentro dos Estados Unidos.

Orçamento: US$4.500.000

Receita: US$6.000.000 (US$727.883 nos Estados Unidos)

Ano: 2001

Sinopse: Donnie Darko (Jake Gyllenhaal) é um garoto considerado problemático, que já foi preso por ter queimado uma casa. Em uma noite, um coelho gigante acorda Donnie, guiando-o até um campo de golfe, onde ele passa a noite. Quando acorda, Donnie descobre que o coelho salvou sua vida de uma turbina de avião que despencou do céu caindo exatamente em sua cama. O coelho gigante ainda profetiza que o mundo irá se acabar dentro de pouco tempo (28 dias, 6 horas, 42 minutos e 12 segundos). Durante o longa, Donnie continua seguindo os pedidos do coelho, que vão desde brincadeiras humilhantes a crimes.

O principal fator gerador do sucesso de Donnie Darko se dá pelas várias teorias que existem sobre o seu roteiro. Ele não é linear, os acontecimentos não se encaixam de imediato. Isso criou uma onda de discussão na internet que impulsionou sua divulgação. É daqueles filmes que faz todo mundo virar pseudo filósofo, refletindo sobre a vida e teorizando sobre tudo. Além de ser um ótimo filme, muito bem roteirizado e dirigido, é a primeira grande atuação de Jake Gyllenhaal (na época com 21 anos), o ator que escolheu fazer filmes de qualidade ao invés de ganhar dinheiro como queridinho de Hollywood.

Obs: Não assista se você tiver coelhofobia.

 

 

Blade Runner

Blade Runner é um marco da cultura pop e da temática cyberpunk.

 

Diretor: Ridley Scott (o mesmo de Alien, o Oitavo Passageiro e Perdido em Marte)

Informações adicionais: O filme é baseado no livro “Androides sonham com ovelhas elétricas?” do renomado escritor de ficção científica Philip K. Dick. Na época, o filme foi considerado um fracasso de bilheteria, superando em pouco o seu orçamento.

Orçamento: US$28.000.000

Receita: US$32.868.943

Ano: 1982

Sinopse: O longa se passa no ano de 2019, numa Los Angeles futurista. Harrison Ford é um policial com um passado muito competente em exterminar androides, conhecidos como replicantes. O modelo mais novo de replicantes, conhecido como Nexus 6, se rebela contra a humanidade, e o trabalho fica para o nosso querido Han Solo, que deve caça-los e eliminá-los.

Blade Runner foi um dos filmes que mais sofreu pela falta de liberdade de criação para o diretor, por isso, provavelmente, teve seu sucesso tão posterior. O longa, que foi originalmente lançado em 1982, teve a versão final do diretor Ridley Scott lançada apenas em 2007. Durante esse tempo, o culto pelo filme só aumentou, pela sua atmosfera densa, os ótimos efeitos especiais para época e seu roteiro complexo para sua ascensão. Neste ano, o filme voltará aos holofotes, já que Blade Runner 2049 (uma sequência) está previsto para ser lançado. Ridley Scott não volta para direção, mas estará presente nos bastidores das gravações.

Obs: Se possível assista as 3 versões, mas priorize sempre a versão de 2007.

 

 

Um sonho de liberdade (The Shawshank Redemption)

Um primor não reconhecido comercialmente, hoje é cultuado por críticos e público.

 

Diretor: Frank Darabont (o mesmo de Á Espera de um Milagre)

Informações adicionais: Quem diria que o filme de maior nota no IMDB (expressivos 9,3) foi um fracasso de bilheteria em sua estreia? Pois sim, o longa conseguiu apenas cobrir os seus gastos.

Orçamento: US$ 25.000.000

Receita: U$ 28.341.469

Ano: 1995

Sinopse: Em 1946, Andy Dufresne (Tim Robbins), um jovem e bem sucedido banqueiro, tem a sua vida radicalmente modificada ao ser condenado por um crime que nunca cometeu, o homicídio de sua esposa e do amante dela. Ele é mandado para uma prisão que é o pesadelo de qualquer detento, a Penitenciária Estadual de Shawshank, no Maine. Lá ele irá cumprir a pena perpétua. Andy logo será apresentado a Warden Norton (Bob Gunton), o corrupto e cruel agente penitenciário, que usa a Bíblia como arma de controle e ao Capitão Byron Hadley (Clancy Brown) que trata os internos como animais. Andy faz amizade com Ellis Boyd Redding (Morgan Freeman), um prisioneiro que cumpre pena há 20 anos e controla o mercado negro da instituição.

Sabe-se lá por qual motivo o filme fracassou comercialmente, mas é fato que, no decorrer dos anos, tornou-se um clássico. Como sua nota no IMDB sugere, o filme beira a perfeição. A cereja do bolo é seu final, com um plot twist talvez não tão surpreendente, mas muito bem trabalhado. Com um ótimo roteiro e atuações, o longa foi indicado a 7 Oscars: Melhor filme, Melhor ator, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Som, Melhor Edição e Melhor Trilha Sonora, não levando nenhum prêmio no evento. Mas convenhamos, concorrer com “Pulp Fiction” e “Forrest Gump” não é uma tarefa fácil.

Obs: Um filme narrado por Deus não tem como ser ruim.

 

 

Incêndios (Incendies)

Ainda pouco conhecido pelo público, Incêndios é um drama pesado, impactante e visceral.

 

Diretor: Denis Villeneuve (o mesmo de A Chegada, Sicario: Terra de Ninguém, O Homem Duplicado, Os Suspeitos e atualmente dirigindo Blade Runner 2049. Isso tudo com apenas 49 anos. É fraco esse jovem, hein!?)

Informações adicionais: O filme é uma produção em parceria entre Canadá e França.

Orçamento: U$6.800.000

Receita: U$12.597,210

Ano: 2010

Sinopse: Após a morte prematura da mãe, Jeanne e Simon (Mélissa Désormeaux-Poulin e Maxim Gaudette) recebem, em testamento, dois envelopes distintos dirigidos ao pai, supostamente falecido, e a um irmão que não imaginavam sequer existir. Conscientes dos segredos que precisam ser revelados, deixam as suas vidas para trás e partem em direção à sua terra de origem, no Médio Oriente, em busca do pai e do irmão que não conhecem, tentando cumprir o último desejo da progenitora. E é desta maneira improvável, cruzando fronteiras e épocas, que eles conhecem o passado e a cultura da sua família e encontram as respostas que sempre procuraram: quem foi a sua mãe e quais os mistérios que circundam a sua vida.

O filme pode ainda não ser considerado um grande sucesso cult, até por ser relativamente novo e ainda não ter tido uma grande divulgação por usuários na internet, como aconteceu com “Donnie Darko” e “Oldboy”. Porém, é provável que em pouco tempo, com a grande ascensão do diretor Denis Villeneuve, ganhe os seus devidos holofotes. Incêndios é mais um dos filmes com finais de explodir cabeça, com um roteiro extremamente bem feito e entrelaçado. Mais do que tudo é uma experiência cinematográfica, gostando ou não, será diferente da maioria dos filmes que você já assistiu.

Obs: Se você já não é bitch do Denis Villeneuve, está aí um bom começo.

 

Revisado por: Raquel Moscardini

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Amante de filmes e series que ninguém assiste, psicologia, filosofia e memes. Em busca de conversas sobre a vida, o universo e tudo mais.